Memorial
Julio Feydit

Julio Feydit nasceu em Campos dos Goytacazes, Estado do Rio de Janeiro, no dia 26 de julho de 1845, no Cortume da Coroa, que se situava em frente ao Cemitério do Caju (Cortume é um local onde se processa o couro cru, tendo por finalidade deixá-lo utilizável para a indústria). Era filho de José Feydit, de nacionalidade francesa e da campista Josepha Pinheiro de Jesus.

Casado com Thereza Koch Feydit, também campista e filha de David Koch, imigrante alemão procedente da Cidade de Baden-Baden, Julio Feydit teve, com ela, onze filhos. Em sociedade com seu sogro, dirigiu um Cortume, no local conhecido como Covas D’Areia.

Nas horas de folga, Julio Feydit se entregava com alma ao trabalho de pesquisar dados sobre sua terra, leituras de antigos jornais, atas da Câmara Municipal, de grandes Sociedades, etc., dados esses que cuidadosamente reunidos resultaram no livro que tem por título “Subsídios para a História dos Campos dos Goytacazes”. Lançado em 1900, o livro de Feydit tem servido de fonte para gerações de pesquisadores. Na introdução, ele escreve:

“A obra que apresentamos não tem a pretensão de ser um escrínio literário. É a uma pena mais autorizada que a nossa, a quem pertence o direito de escrever os fatos que devem constituir a história de Campos. Até que apareça um campista que, recolhendo os subsídios que coordenamos no presente livro, faça desses toscos materiais o monumento da História de Campos, seja-nos lícito esperar que os nossos conterrâneos, aceitem com benevolência o presente livro, como o repositório conquistado às traças pelo humilde trabalhador que procurou aplainar as primeiras dificuldades ao futuro historiador (...)”.

Amigo de Alberto Frederico de Moraes Lamego, Julio Feydit, nomeado prefeito em 04 de outubro de 1907, escreveu ao historiador, que estava na Europa (que publicou uma extensa carta de Feydit no volume VI da Terra Goytacá), narrando o que estava fazendo “para quando regressar, não dizer que dormi, sem nada fazer pela nossa querida Campos”.

Segundo Hervé Salgado Rodrigues, em sua obra “Na Taba dos Goytacazes”, nessa carta, Julio Feydit diz que estava consertando todos os calçamentos e prolongando a rua Formosa. Em outra carta a Lamego, escreve:

“a política vae agora mais calma e os mais exigentes vão se conformando com os factos. Alguns ainda não se mostram satisfeitos com a minha administração, porque não posso satisfazê-los com empregos políticos”. “(...) Todas as ruas à margem do rio, em Guarulhos, estão niveladas e preparadas para rodar os automóveis, que o amigo virá iniciar em Campos. Vou fazendo o que posso para melhorar a nossa cidade”.

Em suas atividades de homem público, Julio Feydit exerceu as funções de delegado de policia, vereador os e prefeito (no período de 1907 a 1910).

Julio Feydit faleceu em Campos, em sua residência, na Avenida José Alves de Azevedo (ex- Avenida Visconde do Rio Branco) esquina com a Avenida 28 de Março (Passeio Municipal) no dia 18 de maio de 1922.