Memorial
Alberto Ribeiro Lamego

Alberto Ribeiro Lamego nasceu no dia 09 de abril de 1896 em Campos dos Goytacazes e faleceu aos 89 anos, no Rio de Janeiro, em 16 de outubro de 1985, sendo sepultado em Campos. Filho de Alberto Frederico de Moraes Lamego e Joaquina Maria do Couto Ribeiro Lamego.

Ainda criança, viaja com sua família para a Europa e conclui o primário e o ginásio (6º ao 9º ano) em Lisboa, onde inicia o secundário. Como seus pais se mudaram para a Bélgica, conclui o secundário em Bruxelas. Matricula-se na Universidade de Louvain e inicia o curso de Engenharia, Artes e Manufatura de Minas. Como os alemães invadem a Bélgica, sua família muda-se para Londres e Alberto matricula-se na Royal School of Mines, do Imperial College of Sciences and Tecnology, onde graduou-se em 1918.

Em 1920 sua família regressa ao Brasil, após 14 anos e Alberto Lamego é admitido no Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil, de onde afasta-se em 1924 e retorna em 1933.

Nesse período, escreveu as quatro obras sociogeográficas da série "O Homem e o Meio Ambiente", enfocando a geologia do Rio de Janeiro, as escarpas da Guanabara e a geologia de Campos e da planície costeira. Alberto Ribeiro Lamego possui inúmeros trabalhos sobre a geologia e os recursos minerais do Estado do Rio de Janeiro e do Brasil, com uma produção científica dificilmente atingida por outros autores.

Entre 1944 e 1963 publica quatro obras-primas de cunho geográfico, histórico, ecológico e social: "O Homem e o Brejo", "O Homem e a Restinga", "O Homem e a Guanabara" e "O Homem e a Serra". Publica, em 1944, "A Bacia de Campos na Geologia Litorânea do Petróleo", prevendo o potencial petrolífero da área. Em 1948 apresenta a Folha Geológica do Rio de Janeiro na escala 1:100.000, primeira quadrícula publicada no estado.

Foi um dos pioneiros da utilização da fotointerpretação como ferramenta para o mapeamento geológico no Brasil. Durante 20 anos faz parte da Comissão da Carta Geológica do Mundo, tendo publicado em 1964 o primeiro mapa geológico da América do Sul feito por sul-americanos.

Por seus trabalhos recebeu inúmeras homenagens: denominações de diversas espécies fósseis, muitas medalhas e condecorações.

Alberto Ribeiro Lamego, Lameguinho para os amigos mais íntimos, também foi poeta, músico e, como escritor, foi membro da Academia Fluminense de Letras, da Academia Campista de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico da cidade do Rio de Janeiro, do Instituto Pan-Americano de Geografia e História.

Hervé Salgado Rodrigues, professor e diretor do jornal A Notícia, escreveu sobre ele em seu livro Na Taba dos Goytacazes, no qual diz:

“(...) Membro titular da Academia Brasileira de Geografia; do Instituto Pan-americano de Geografia (OEA), sede no México; Delegado à Convenção de Copenhague (1960); Delhi (1964); Reuniões das Cartas Geográficas do Mundo em Hanover (1965); Paris (1966); Vice-presidente da Comissão da Carta Geográfica do Mundo e membro de muitas outras instituições de projeção internacional. Não esquecendo, entretanto, sua terra natal, foi professor de |Geografia no Liceu de Humanidades de Campos. (...) Ao sentir sua morte fez dois pedidos: ser enterrado em Campos e seu corpo velado na Igreja de São Francisco... a irmandade3 que controla a Igreja havia tomado a medida de não mais permitir velórios no templo e não concordou em abrir exceção, nem para o ilustre brasileiro e campista. A seu velório e seus funerais não estiveram presentes nem se fizeram representar membros do poder executivo municipal e da Câmara Municipal. (...) Depois, em junho de 1987, a municipalidade procurou redimir-se, instituindo o Troféu ‘Alberto Ribeiro Lamego’”.

Anos depois, com a implantação da UENF e o alargamento da extensão da Avenida 7 de Setembro, esta recebeu o nome de Avenida Alberto Lamego, em sua homenagem.



Obras:

O levante de 1748

A Planície do Solar da Senzala – 1934 – 2º edição – 1996;

A Geologia de Niterói na tectônica da Guanabara – 1945;

O Homem e o Brejo – 1946 – 1ª edição e 2ª edição – 1974;

Muxuango e Mocorongo C. Fl. De Folclore ano IV Nº V- Março/1972;

O Homem e a Restinga – 1946 (IBGE);

O Homem e a Restinga – 2ª edição realizada pelo autor – 1974;

Campos – Capital do estado do Rio de Janeiro – 1930;

Bibliografia (Apontamentos Bibliográfico) – Editado pelo C. M. de Geografia;

Acalanto dos Airises;

O Homem e a Guanabara (2ª Ed. IBGE) – 1964;

O Homem e a Serra – 1950 – (2ª Ed. IBGE) – 1963;

Geologia das Folhas de Campos, São Tomé, Lagoa Feia e Xexé – 1955;

A Bacia de Campos na Geologia Litorânea do Petróleo – 1944

Folha do Rio de Janeiro – 1948;

Escarpas do Rio de Janeiro (Serviço Geológico e Mineralógico) Boletim 93- 1938;

Restingas na Costa do Brasil (Boletim nº 96 e Mármores do Muriaé (RJ) Boletim nº 97) – 1940;

Theoria do Protogneis (Boletim nº 86) – 1937;

Revista da Academia Brasileira de Letras – PJS – Vol. IV- Janeiro/1912;

As invasões Francesas no Rio de Janeiro

Fundação de Atafona e da igreja N. S. da Penha - (Livreto);

Macaé à luz de documentos inéditos

Referências

 

CARVALHO, Waldyr de. Campos depois do centenário, Vol.II;

___________________. Gente que é nome de rua Vol. I;

RODRIGUES, Hervé Salgado. Campos - Na Taba dos Goytacazes. Biblioteca de Estudos Brasileiros. Imprensa Oficial. Niterói, 1988;

SIQUEIRA. Jorge. Blog Terra Goytacá;

VILHARES, Artur. As ordens religiosas em Portugal nos princípios do século XX. Artigo publicado em www.bnportugal;

www.fmsoares. Expulsão dos Jesuítas e de outras ordens religiosas.

www.ieb.usp.br (Instituto de Estudos Brasileiros).

http://www.apgrj.org.br/

www.cprm.gov.br/publique/Redes (Serviço Geológico do Brasil)

www.biblioteca.ibge.gov.br


Pesquisa e texto: Avelino Ferreira

Campos dos Goytacazes/RJ, outubro de 2016